sábado, 2 de fevereiro de 2013

FUGA

Fujo da vida
como monges
em mosteiros
tentando dominar
os sonhos e desejos.
Amargo o tic-tac
dos relógios
que me faz
correr como as horas.
A penitência
é saber do amanhã
o hoje não seduz.
Castigo o corpo
com varas
que varam
o arrependimento
de não ter
feito o possível.
Impossível esquecer
que sou pó
e que a terra
de onde sai
me chama.
A clausura
alimenta o altar
com o óleo
das lágrimas
que correm tépidas:
rios intermitentes.
As paredes
são limites
que inibem
a esperança;
a luz das frestas
não diz nada.
Só ouço gritos:
mulheres, crianças,
arrancadas das mães:
são tantos
que não escuto
os que são meus.
A vida não
é capaz de
calar a dor.
- Derrubem o mosteiro
para ver 
se ao menos
castigado pelo tempo
eu fuja
e fugindo
perceba
o que já
não posso ver.


 

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