sexta-feira, 3 de novembro de 2017

À PRAIA DE CANDEIAS


Com quantas notas
se compõe uma canção?
Essa eu fiz em três:

Tuas águas, que combinadas
às do rio e ao brilho do sol,
lampejam minha memória.

Teu vento que esvoaça meus cabelos
dançando como tuas águas,
como se brincassem com os desejos meus.

Tua luz que como Candeias
ilumina os meus sonhos 
despertando o desejo de amar outa vez.

André de Siqueira               

PUZZLE


Hoje passei uma parte do meu dia tentando formar um “quebra-cabeça” e até agora, confesso, não consegui montá-lo. Acho que depois de um filme de suspense fantástico que assisti ontem à tarde: “Sacrifício”. Deixei aflorar em mim o espírito investigativo. O problema é que minha investigação se baseia em palavras, um emaranhado de palavras desconexas que não fazem muito sentido. Talvez façam para que as verbalizou, para mim tem umas peças que não se encaixam.
   Estou pensando que tudo que aprendi na vida sobre o ser humano desaprendi ontem, mas isso não é mau, acho bom saber que nada sei e que ainda me resta aprender muitas coisas. Como uma criança que aprende a andar estou reaprendendo a admitir que ajo infantilmente “algumas” vezes.
   Por que será que Deus permite que pessoas surjam nas nossas vidas com dramas tão parecidos como os que já vivemos e apenas o silêncio é a arma para entender o que a alma e não boca quer dizer?
   Por que será que fugimos de nós mesmos? Por que será que entendemos tudo errado? Por que não somos mais práticos no que sentimos? Por que jogamos as peças paro ar e depois não conseguimos montar.
   Volto ao “quebra-cabeça” e concluo com o poeta  Fernando Pessoa que tinha razão ao dizer: “As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”.

André de Siqueira     

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Lua Cheia

Do mar tu vens vestida
de ternura escondida
nos versos que te cantam.
Es apenas una menina
refletido o brilho
em que te (en)candeias.
Ainda que tenhas percorrido
um longo caminho na escuridão
agora tu brilhas.
Tua beleza me torna um Selenita
habito teus sonhos
não estou só em minhas lágrimas.


André de Siqueira 

Diferenças


Sol ou lua?
Lua ou sol?
Mar ou terra?
Terra ou mar?

Medo de você
ou medo de amar?
Medo do que sinto
ou medo de mim?

Somos diferentes
como cada linha
de um desenho,

como cada revirar
na calada da noite
quando atamos um nó .

André de Siqueira


quarta-feira, 26 de julho de 2017

ESQUINA


Uma esquina é apenas uma opção
de mudar de direção ou continuar.
Já encontrei muitas esquinas em meu caminhar,
Em muitas mudei o rumo.
Outras não me atraíram e prossegui.
O mundo poderia não ter esquinas
ser uma reta sem fim.
Sem esquinas não haveria a opção
da mudança de rumo,
ainda que as vezes mesmo mudando de rumo
o caminho nos deixe no mesmo lugar.
Há um lugar determinado
para aonde as esquinas não podem nos levar.

André de Siqueira                                                                             Julho 2017

sábado, 22 de julho de 2017

Chile...terra e mar

O pior desafio de um poeta
é quando a poesia está em tudo que vê,
dentro do seu peito
e teima em não sair.
O vislumbre é tão grande
e as palavras derretem-se 
como a neve depois do meio dia.
O Chile me deixou mudo,
minha afonia é reflexo de sua beleza.
O seu cheiro, seu sabor, sua gente, seu frio com calor
que deixou-me mais uma vez como
pássaro sem asas.
Se as tivesse como uma gaivota
voaria para Chiloé( la Tierra das gabiotas)
construiria um ninho
de onde só sairia para plainar e grasnar:
Chile... terra e mar.
.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ SI(M) DOI

Quando cai o sol
num SOL, LÁ, MI, SI me dói
sem saber para aonde  se foi
o que partiu sem dizer nada:

Um nó quase cego
aperta a goela
e parece que conhece
os caminhos dos olhos meus.

Um tempo sem sons
para me RÉFÁzer
como o Capibaribe entre Sol
e a Aurora

Quando já a aurora
chegou para me despertar
escuto os sons da rua que

em  um DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI acordou.

André de Siqueira                                                                                             Junho, 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

"É mentira Terta?"

Era uma vez um menino que tinha o poder de enganar as pessoas.
Ele contava tantas mentiras, que as mentiras acabavam se tornado verdades para ele e para os outros.
O menino cresceu, virou adulto e de tanto contar mentiras se tornou um dos maiores mentirosos do mundo.
Ele acreditava tanto em suas mentiras que um enorme grupo de pessoas seduzidas por seu ópio, acabaram deixando de pensar e passaram a agir instintivamente, lembrando uma personagem de Chico Anísio: Pantaleão: que possuía um bordão, que era usado todas as vezes que alguém duvidava das suas histórias: “ É mentira Terta”?
É mentira Terta? É a pergunta e todos sabem a resposta da personagem do humorista: “ É verdade!” Por que será que Terta dizia que era verdade mesmo sabendo que era mentira. Eis a questão.

Terta nada mais é que a expressão de alguém que precisa dizer que é verdade para não perceber seus sonhos e as mentiras do seu coronel desmoralizadas.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O meu primeiro poema

O meu primeiro poema
nasceu em um ato de coragem
em uma aula de história
para impressionar uma menina.
“Na sombra de um Jequitibá”:
sabia que era uma árvore,
mas nunca tinha visto uma.
Era romântico uma sombra de uma árvore.
A professora gostou muito
e pediu-me que recitasse mais uma vez
e com todo gosto achando que a menina entenderia,
recitei o poema do jequitibá.
Como ela apenas aplaudiu,
mas minhas intenções não se concretizaram,
levei um tempo para me aventurar novamente na poesia.

André de Siqueira


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Saudades

Os primeiro choros,
os primeiros olhares,
os primeiros soluços,
os primeiros banhos.
os primeiros dias com febre,
os primeiros dentinhos a nascer,
os primeiros sorrisos,
as primeiras caras de pau,
os primeiros abraços,
os primeiros sonos ao conto de estórias,
ou enquanto um canto era entoado,
as primeiras noites acordados,
as brincadeiras de cavalinho, de feira, sentados escutando música,brigando na cama,
os primeiros desejos não realizados,
os primeiros choros demorados.
os primeiros dias de aula
os primeiros dias fora de casa
os primeiros, os tantos outros primeiros.
Foram esses primeiros que garantiram o vínculo
que ainda nos prende, nada pode nos fazer apagar os bons momentos.
Os maus já apeguei com a borracha do amor, da compreensão da transitoriedade.
Tudo passa, menos a saudade do que vivemos.
E que haja mais tempo para que haja mais saudades tão gostosas como essas.


sábado, 29 de abril de 2017

O AMOR NÃO NOS DEIXOU SOZINHOS

Ser trocado depois de se entregar como cordeiro mudo
nas mãos de algozes para que eles lhe dessem o “fim” presciente
 - O que teria feito eu para merecer isso?
 - Onde estão os meus filhos e irmãos?
- Onde está meu Pai que me deixou só?
Drama, suor, solidão.
Quem não já sentiu isso?
O Deus que tudo criou se fez homem
se ofereceu em nosso lugar
e por ter vencido a morte
agora está assentado à direita do Pai
dizendo eu sei o que estão passando:
eu passei pelo que passam eles pois
a carne é fraca Pai.
Ele se foi mas não nos deixou órfãos
deixou-nos o Espirito do Pai e clama por nós.

André de Siqueira



terça-feira, 18 de abril de 2017

Nas dunas de Genipabu

Dias inesquecíveis se constroem
de duas formas orando e agindo.
O inusitado acompanha o agir de Deus
nada acontece por acaso nem um grão de areia
sai do lugar sem um propósito.
Nem um bugueiro mal preparado e mal-humorado.
Tudo tem um propósito:
o que parecia mau torna-se bom,
uma emoção descomunal.
E no final, nada melhor do que
comer à beira mar em Jacumã.
E voltar sendo agraciado por um mal-humorado
Com uma das mais belas vistas de um final de tarde
e as águas de uma rápida chuva lavando pai e filho.


André de Siqueira 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Chuva



Quando a chuva cai
ela não sabe o que traz:
para uns, temor
para outros, amor.
Uns sofrem
outros plantam
outros rapidamente colhem.
Ainda há os que dormem
os que não sofrem
os que desentopem
os que perdem
os que ganham
os que sonham
os que acordam felizes
os que acordam tristes
os que nem acordam.
Ainda há os que ouvem gritos
os que estão cobertos de barro
os que do barro saem
os que no barro ficam
os que para o barro voltam.

André Siqueira 03/06/2016

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Espera

   Quando criança passava boa parte das minhas tardes livres na beira dos barreiros e alagados nos bairros da Zona Oeste do Recife, nos anos 1970. Pescava de duas formas:com uma varinha que eu mesmo fazia com galhos de papoula, náilon e anzol mosquito ou com um balaio ou peneira para pegar betas e outros peixes. Sempre gostei de pescar. Muitas vezes na pesca com o anzol voltei sem qualquer peixe, mas com o balaio ou peneira sempre vinha peixes. Mas o prazer de pescar com anzol sempre foi maior do que do outro modo.Lembro-me nessa época num alagado próximo a uma olaria, junto ao Rio Capibaribe quando pesquei um camarão Pitu de mais de 30 cm, com um anzol mosquito.
   O tempo passou e meus pais mudaram e fui morar em Boa Viagem e comecei a pescar nos recifes da praia de Boa Viagem. Aqueles anos foram memoráveis, lembro-me de um ano no início da década de 1980, que próximo a Boca da Barreta não havia espaço para tanto pescadores e eu devido a minha condição financeira pescava com uma linha enrolada num garrafa que eu lançava ao mar com o peso de uma chumbada, que as vezes por falta de condições era substituída por um cadeado velho.Lembro-me que pesquei um peixe maior de que todos aqueles que possuíam varas com molinetes e impressionei a todos. Até que cheguei a ter a minha própria vara com molinete.
   A pescaria me ensinou a ter  paciência e esperar, muitas vezes voltei das pescarias sem qualquer peixe e tinha ainda que aguentar a gozação dos mais próximos. Mas outras vezes voltei com o samburá cheio, as vezes até com polvo e lagosta. Aprendi que um dia é do peixe e outro do pescador. Hoje dificilmente volto de uma pescaria sem pelo menos um peixe, mas mesmo assim as pessoas não veem muita lógica no que faço. O que faço? Treino a minha alma para esperar, a espera muitas vezes é dolorosa e dolorida, mas o prazer da conquista supera todo sofrimento.Lembro do Salmista Davi quando diz: Esperei com paciência no Senhor e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor..."

André de Siqueira

Quarentena

Enquanto quantos dias enfrento e a vida segue cantando o encanto de que é preciso viver pra ver um dia melhor nascer. Meninos q...