sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O canguru do meu avô

No início dos anos 1970 fomos passar o carnaval em uma praia distante: Maria Farinha,no litoral norte de Pernambuco. Era linda e com muitas casinhas de pescadores na beira da praia. Quem a conhece hoje não pode acreditar que era assim.
Meu avô era um sujeito muito elegante, era um intelectual de poucas palavras, um riso curto e um humor fino. Lembro sempre de um comentário feito por ele nessa casa de praia que durante muitos anos achei que era pura verdade.
Observei próximo a casa um enorme buraco de rato e corri para contar para meu avô. Ele foi ver o buraco e disse: Isso não é um buraco de rato, mas de canguru. Cresci achando que em Maria Farinha havia cangurus.


"Nâo cutuque o cão com vara curta"

Minha mãe sempre dizia: meu filho não cutuque o cão com vara curta. Eu só fui aprender quando já tinha uns sete anos de idade.
Minha casa ficava em um dos caminhos que dava na feira do Cordeiro e por lá passavam muitas pessoas simples que comercializavam ali ou carregavam fretes. Todo início de noite , geralmente da sexta-feira para o sábado, as pessoas passavam.Em um desses dias um menino que trazia em uma das mãos um balaio e na outra uma rudia me ensinou a grande lição.                                                                                   
 Naquela noite fiquei na frente do menino, acho que um pouco mais velho que eu, e disse: bota o balaio no chão que você vai apanhar. ( Não me perguntem por que fiz isso. Até hoje não sei.) . O menino se recusou e disse que não poderia parar pois teria que ir à feira para ajudar sua mãe que encontrava-se em casa esperando uns trocados. Fiquei um pouco sensível com a história, mas voltei atrás e disse: tire o balaio. Ele tirou e eu levei uma grande surra e pude ver do chão, com a poeira levantando, o menino indo embora. Parecia uma cena de faroeste com o moçinho desaparecendo em meio á poeira e o fora da lei no chão. Aprendi a lição.




quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Uma noite com papai

Um dos dias inesquecíveis da minha infância foi quando fiquei uma madrugada acordado com meu pai, enquanto todos dormiam, produzindo as bandeirinhas da festa de São João que decoraria a minha casa como se fosse um arraial pra dançar quadrilha junina. Ajudar meu pai cortando as bandeirinhas e colocando grude de goma nas bordas se tornou inesquecível pra mim. Acho que papai nem lembra deste dia, mas para mim se tornou memorável. Lembro-me ainda os detalhes de cada objeto daquele quarto azul.
Azul é a cor predominante na colcha de retalhos da minha infância,que ainda contêm o branco do sorriso de um pai sempre presente na vida do filho.


domingo, 18 de agosto de 2013

PRIMEIRA GRANDE TRELA

Próximo à casa onde eu morava havia um espécie de lagoa ou laguna, acho que possuia alguma ligação com o mar. Eu costumava ir com alguns colegas da vizinhança tentar pegar alguns peixes com as mãos. Tenho vagas lembranças desse local, acho que tinha agora uns seis anos de idade.
Em um dos regressos desse lugar aconteceu um fato que merece ser lembrado. Não gosto muito de contá-lo para meus filhos.
Vamos lá.Enquanto retornava com os colegas passamos próximo a um poste de fios elétricos, naquele tempo os postes eram de madeira, e então, não sei o que me deu, perguntei aos meninos se eles duvidavam que eu sereia capaz de derrubar o poste, eles duvidaram.Não tive dúvidas, imitando o Kung Fu saltei no poste e derrubei. Os fios bateram uns nos outros e o resto foi "pernas para que te quero".Cheguei em casa e encontrei minha mãe reclamando da falta de energia  e perguntando por que eu estava tão desconfiado. Poucos minutos depois ela ficou sabendo quando seu Antônio, o eletricista do bairro veio reclamar e revelar o causador do apagão. Vale ressalvar que naquele tempo queda de energia não era chamada assim.




sábado, 17 de agosto de 2013

MEU NOME

Meu nome seria Elói.
Mudou um pouco antes de eu nascer.
Minha mâe estava desesperada com as dores de parto que só aumentavam e fez um trato com Deus: " Se meu filho nascer será chamado de André, um dos discípulos de Cristo". Não foi fácil tiveram que chamar meu tio, um médico do exército, em plena ditadura, pois eu não queria sair. Quando nasci era roxo e segundo meu pai parecia um sapo.




sexta-feira, 16 de agosto de 2013

MEMÓRIAS




 Escreverei, a partir de hoje, todos os dias sobre uma pequena parte da minha vida. Em alguns casos procurarei o anonimato de algumas pessoas para preservar suas respectivas imagens. Muitos alunos sempre me pediram para contar minhas histórias em um livro, como não tenho coragem de escrever um livro estarei aqui contando de forma descontraída alguns episódios da minha vida a quem interessar.

Quarentena

Enquanto quantos dias enfrento e a vida segue cantando o encanto de que é preciso viver pra ver um dia melhor nascer. Meninos q...